O beato jesuíta espanhol José de Anchieta será canonizado no próximo dia 2 de abril por meio de um decreto assinado pelo Papa Francisco. A opção por um decreto, em vez de solenidade na Praça de São Pedro, no Vaticano, foi do Santo Padre e teria sido escolhida porque a canonização não está baseada em um recente milagre do beato.
O site Passarinhando lembra aqui, algumas passagens sobre a relação deste novo santo da Igreja Católica com as aves. A primeira delas é a lenda de que o Padre Anchieta partira de canoa viajando em seu incansável trabalho de catequese com alguns homens. Sob o sol forte os homens que o acompanhavam, suavam e reclamavam do calor. Foi então que o Padre, numa voz alta e clara, chamou as aves que voavam longe e esparsas. Num momento, elas acudiram em bando e, num vôo leve e reto, rumaram para a canoa. Então o vôo verde das maitacas se juntou à brancura das gaivotas e às asas escarlates dos guarás, como num toldo multicor, e, num vôo baixo e disciplinado, cobriram de asas e de sombra a canoa protegendo do sol escaldante.
Conta-se quando Anchieta escrevia nas areias da praia, os índios viram por vezes nesta praia uma avezinha fazendo festa e pousando nos ombros, na cabeça e nas mãos do padre para mostrar a José o cuidado que o céu tinha deles, ou para mostrar aos índios o com que haviam de respeitá-lo. Como se pode constatar, impossível, com os dados fornecidos, saber de que espécie é a ave citada.
Outra passagem envolvendo o padre Anchieta, conta que quando ele morreu, chegaram então duas andorinhas, colocando-se nos ombros do corpo, para vigiá-lo. Quando o levaram para o cemitério, apareceram mais duas andorinhas, que voaram em frente do cortejo. Ao enterrarem o corpo, formaram as andorinhas uma cruz acima da sepultura.
O Padre Anchieta nasceu em 19/3/1534 em São Cristóvão de La Laguna, capital da ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias – território da Espanha no Atlântico Norte e faleceu em 9/6/1597 na aldeia de Biritiba/ES, que hoje leva seu nome.
flamingo
O pássaro madrugador recebe duas caudas? Os paleontólogos sugerem que um pássaro de 120 milhões de anos de idade, usava uma longa cauda e um segundo inesperado fronde cauda. Os pontos da descoberta para um caminho evolutivo complicado para as caudas que vemos hoje nas aves.
Um antigo dinossauro-ave poderia ter duas caudas , uma talvez para o vôo e outro para exibir para possíveis paceiros.
Um dos mais antigos pássaros conhecidos, Jeholornis , viveram no que é hoje a China , juntamente com um tesouro de outros dinossauros com penas descobertos na região ao longo da última década. Pensava-se que ele tivesse apenas uma cauda de penas longas em seu back-end. Agora, no entanto , os paleontólogos estão reivindicando descoberta de um segundo fronde cauda adornando o pássaro. (Veja imagem no final deste artigo ” que os dinossauros emplumados agitavam suas penas da cauda ? ” )
De 11 Jeholornis fósseis que retêm evidência de plumagem antiga, 6 têm sinais dessa fronde de 11 penas, que se projetava acima do pássaro em um ângulo reto alegre de uma maneira ” visualmente impressionante ” , de acordo com o estudo.
Exibição de duas caudas
“É evidente que o aspecto da apresentação da fronde teria sido inegável “, diz o paleontólogo Mark Norell , do Museu Americano de História Natural , em Nova York, que não participou do estudo. ” Ele chama a atenção para aves vivas , mesmo pavões, que exibem grandes plumas de penas. ”
Em pavões e outras aves , tais características das penas são mais para atrair a atenção de potenciais parceiros do que para qualquer finalidade funcional .
Pássaros machos hoje são os únicos com a plumagem notável , os autores sugerem que talvez só um sexo de Jeholornis ostentava as folhas cauda atraentes .
Vantagem para voar?
Não se pensa que no Jeholornis esta característica seja diretamente relacionada às aves modernas, que parecem ter evoluído a partir de uma linha diferente das primeiras aves . Os autores do estudo sugerem que a fronde cauda pode ter desempenhado um papel estabilizador na fuga destes primeiros pássaros e que se o arranjo de penas tinha provado vantajoso o suficiente, aves modernas podem ter evoluído para tais características de duas caudas . Eles vêem as plumagens como achatamento de oferecer uma aparência aerodinâmica quando o pássaro estava no vôo.
Outros pesquisadores não estão convencidos de que a recém-descoberta cauda fronde desempenhou um grande papel no vôo.
Talvez o mais provável , ela sugere a fronde simplesmente evoluiu como uma ferramenta de “display sexual ” alardeados por essas primeiras aves.
Ilustração Aijuan Shi
A 45° Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Curitiba, realizada em 8 de junho de 2010 aprovou, por unanimidade, o projeto de lei de autoria da vereadora Renata Bueno, que designa o grimpeiro (Leptasthenura setaria) como ave-símbolo de Curitiba. Abaixo, algumas informações sobre esse belíssimo representante de nossa avifauna, agora transformado em ícone da capital paranaense.
O “grimpeiro”, também conhecido como “grimpeirinho”, é um pequeno pássaro aparentado ao joão-de-barro, ou seja, da família dos furnarídeos. O seu nome popular vem da sua íntima relação com as espinhentas folhas do pinheiro que, aqui no Paraná, são chamadas grimpas. Quem já fez sapecadas de pinhão, certamente já usou grimpas secas de pinheiro, para assá-los. É uma manifestação genuinamente paranaense, profundamente arrigada em nosso povo.
O complicado nome científico do pássaro – Leptasthenura setaria – logo fica mais fácil de falar e entender, desde que aprendamos as palavras que o compõem: “leptos” significa fino ou estreito; “stenos” é pontiagudo; “ura” é cauda. O primeiro nome está desvendado. Refere-se a um pássaro que tem a cauda fina e pontuda. Já “setaria”, refere-se ao pequeno penacho que tem na cabeça que, frequentemente arrepiado (sedoso), consiste de uma de suas características mais importantes.
O grimpeirinho vive apenas em uma pequena região onde também ocorre o nosso pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), árvore-símbolo de Curitiba. Sua área de ocorrência vai do centro-norte do Paraná até o norte do Rio Grande do Sul, bem como uma limitada parcela do nordeste da Argentina (Província de Misiones). Também pode ser encontrado em alguns pontos isolados do estado de São Paulo (Serra do Paranapiacaba), todos perto da divisa com Minas Gerais (Serra da Mantiqueira) e Rio de Janeiro (Serra da Bocaina). Desta forma, trata-se de um pássaro quase que exclusivo do planalto meridional brasileiro, onde pode ser encontrado em grandes quantidades, mas, somente onde existem pinheiros. Segundo o renomado ornitólogo Helmut Sick, há uma frase conhecida de todos: “onde não tem pinheiro, não tem grimpeiro!”.
De uma forma geral, prefere locais de clima frio e úmido, com quedas de temperatura à noite, neblina pela manhã e um belo céu azul ao meio-dia. Qual, então, a cidade mais apropriada para ele viver? Curitiba é a única capital brasileira que tem esse privilégio! Graças a isso, é também a única sede estadual do Brasil onde o pássaro pode ser encontrado com grande facilidade, inclusive em pinheiros isolados no centro da metrópole.
O grimpeirinho, como dito, gosta e precisa de lugares onde existam florestas de pinheiros. Entretanto, ele também vive nas cidades, desde que ali haja esse tipo de árvore, quer seja protegida nos quintais de algumas casas, quer seja como componente da arborização urbana. Basta um único pinheiro, às vezes bem defronte à janela de um edifício, e lá estará o passarinho, passando de ramo em ramo, cumprindo sua rotina diária na majestosa árvore.
Trata-se de um dos raríssimos casos, dentre todas as aves do Mundo, em que um pássaro depende quase que exclusivamente de uma única espécie de planta. O grimpeiro não somente aprecia as espinhentas ramagens do pinheiro, como dela é inteiramente dependente e também colabora com sua preservação. Ali encontra abrigo, alimentação e proteção para construir seu ninho. Em troca, pode realizar a polinização da árvore, contribuindo para a formação dos pinhões, elemento integrante na alimentação e do folclore paranaense.
É que o pequeno pássaro, em sua busca incessante por pequenos insetos e larvas, esbarra nas flores masculinas do pinheiro, ficando com a plumagem cheia de pólen. Ao voar para outra árvore do pinheiro realiza a polinização, transferindo esse pólen para as flores femininas. Dali o milagre da vida produz e faz crescer as pinhas, que contêm pinhões. Ao cair, após a maturação, essas sementes germinam e formam novas árvores. Fecha-se o ciclo vital dos pinheiros e do pequeno e laborioso pássaro.
O grimpeiro é, por várias razões, o pássaro que mais se aproxima do povo curitibano. Primeiro porque vive apenas nos pinheiros, a árvore mais importante da simbologia paranaense e que tem Curitiba como a capital brasileira onde pode ser encontrada em maiores números. Não à toa, essas árvores deram o nome indígena à cidade, ou seja, “terra de muitos pinheiros” e, também, Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Não à toa, se trata da árvore-símbolo da cidade e que, por questão de máxima honra e coerência, orna o brasão de armas municipal. Qual pássaro seria mais adequado para simbolizar o povo curitibano?
Segundo porque é nesta cidade que qualquer observador poderá facilmente encontrá-la, justamente por termos aqui uma grande quantidade de pinheiros, que são protegidos pelo Poder Público e pelas próprias pessoas conscientes da necessidade de preservação da natureza.
Pouco visto pelas pessoas, o grimpeirinho não é daqueles pássaros multicoloridos que costumeiramente aparecem na mídia e que não condizem com o perfil típico do curitibano. Cumprindo sua função na natureza de maneira tímida mas zelosa e competente, o pássaro passa sua vida convivendo com o clima frio e percorrendo com agilidade as espículas do pinheiro. Ali alimenta-se dos insetos que encontra no meio das folhas e, além disso, colabora com a polinização da árvore, retribuindo a proteção que a majestosa planta lhe oferece.
Se muitos curitibanos não conhecem o pássaro, isso deve-se somente ao fato de que a população raramente é instruída para a observação dos mais genuínos integrantes de nossa natureza. Essa é uma razão importante para oficialização deste pássaro como símbolo da cidade, servindo – inclusive – como estímulo para que as pessoas passem a o olhar com mais atenção para os seus companheiros do dia-a-dia e, especialmente, como fonte inspiradora para múltiplas atividades de educação ambiental.
Vamos ajudar a divulgar esse símbolo e com isso, contribuir para o conhecimento de todos os elementos que compõem a natureza curitibana.
Texto:
Fernando Costa Straube
Zoológicos do Brasil – Espaço para Lazer, Educação Ambiental, Conservacionismo e Pesquisa
Arara-vermelha-grande – (Ara chloropterus) : – animal mais votado na Região Norte. A arara-vermelha-grande pode ser vista no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), zoológico mais antigo do Brasil. Geograficamente, é encontrada da América Central (Panamá) ao Paraguai e norte da Argentina. Encontra-se quase extinta no sudeste e sul do Brasil, devido, principalmente, à destruição das matas e captura para comércio ilegal. Atualmente é freqüente apenas na Amazônia. O selo apresenta ao fundo a Floresta Amazônica. Técnicas utilizadas: desenho e pintura à aquarela e computação gráfica.
Cada selo tem como foco principal a imagem dos animais vencedores do concurso “Bote o Bicho no Selo”, escolhidos por sistema de votação na internet.
Outros selos da série:
Elefante africano – O selo apresenta ao fundo aspectos diferenciados da região, como serras e planícies, no Parque Estadual da Serra do Mar. Tigre – O selo apresenta ao fundo o hábitat da espécie, o jângal (floresta, mata, selva). Girafa – O selo apresenta ao fundo a vegetação típica do cerrado, com destaque para o Ipê-amarelo. Leão africano – O selo apresenta ao fundo a savana, que é seu ambiente natural, e uma formação rochosa, local em que as fêmeas procriam. Chimpanzé – o selo apresenta uma paisagem típica da savana africana, bastante similar ao cerrado brasileiro. Além disso, antílopes chamados órix – Oryx gazella, os quais vivem em vários parques e reservas de países da África.
O bloco apresenta um recanto da Serra do Japi, coberto pela floresta, de características peculiares*, que ocupa a maior parte da área florestal da região, bem como algumas espécies da fauna, típicas do local. Ao centro, destacam-se os dois selos divulgando, o da esquerda, o pássaro Saíra-amarela – (Tangara cayana), e o da direita, a borboleta Consul fabius drurii. Na parte superior do bloco visualiza-se, da esquerda à direita, Saí-azul – (Dacnis cayana) – “Borboleta 88”, Tico-tico – (Zonotrichia capensis), e o besouro da família Chrysomelidae – “Crisomelídeo”. Na parte inferior do bloco, seguindo a mesma ordem, destacam-se: Phillomedusa burmeisteri – “Perereca da folhagem”, a borboleta Heraclides thoas brasiliensis, e Felis pardalis – “Jaguatirica”. Presente também, a logomarca do Ano Internacional do Planeta Terra, instituído pela UNESCO. Foram utilizadas as técnicas de desenho em aquarela e computação gráfica.
A Serra do Japi é um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do interior do estado de São Paulo. Ocupa uma área de 350 km2, a maior parte nos municípios de Jundiaí e Cabreúva. Situada em uma região densamente povoada, entre São Paulo e Campinas, a Serra do Japi sofreu as mesmas agressões que foram infligidas há pelo menos três séculos à Mata Atlântica: desmatamentos, pressão urbana, mineração, incêndios, entre outras. Mas encontra-se, hoje, em grande parte, preservada, graças ao processo de regeneração de suas matas. Trata-se de uma das raras florestas do mundo que viceja sobre solo quartzítico.
A Serra do Japi é considerada uma região de interface entre duas fisionomias de vegetação distintas: a Mata Atlântica e as florestas semideciduais do interior paulista que perdem parcialmente suas folhas no período de estiagem. Uma das características mais relevantes das áreas ecotonais é a grande diversidade de formas de vida. Suas florestas abrigam inúmeras árvores e, dentre as mais de trezentas espécies observadas até hoje, destacam-se arbustos, herbáceas, samambaias e musgos.
A Serra do Japi abriga uma fauna bastante diversificada, com mais de 650 espécies de borboletas identificadas e centenas de espécies de outros insetos, aracnídeos, anfíbios e répteis. Dentre as aves, se destacam gaviões, acauãs, seriemas, almas-de-gato, corujas, beija-flores, pica-paus, joões-de-barro, tesourinhas, arapongas, gralhas, corruíras, sabiás, sanhaços, saíras, tizius e tico-ticos, entre outros. Mamíferos como gambás, tatus, quatis, morcegos, bugios, macacos sauá, cachorros-do-mato, jaguatiricas, gatos-maracajá, onças-pardas, furões, catetos, serelepes, preás, ouriços, veados, capivaras, tapitis e preguiças, dentre muitos outros, são encontrados em seu rico ecossistema.
Outra notória importância da Serra do Japi está nos mananciais de água de excelente qualidade, sendo nascente de inúmeros córregos de águas cristalinas.
Paisagisticamente, a Serra do Japi tem grande relevância para a cidade de Jundiaí, pois em boa parte da zona urbana pode-se avistar a paisagem serrana na face sudoeste do município, propiciando cenário de notável beleza à população.
Em 8 de março de 1983, por intermédio da Resolução nº 11, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – CONDEPHAAT, efetuou o tombamento da Serra do Japi, importante marco na luta pela preservação ambiental no Brasil.
A Serra do Japi integra a Reserva do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, que, em 9 de junho de 1994, foi declarada pela Unesco como parte integrante da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Com esta emissão, os Correios ratificam, por meio da Filatelia, o compromisso de propagar o patrimônio natural brasileiro, reconhecendo sua importância para o meio ambiente e o turismo nacional.
* floresta mesófila semidecídua
Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
Prefeitura Municipal de Jundiaí
Pica-pau-do-Parnaíba (Celeus obrieni)
O pica-pau-do-Parnaíba, que tem o nome científico de Celeus obrieni, é uma daquelas aves que encantam os pesquisadores por suas características peculiares. Primeiramente, o seu topete vermelho é muito vistoso, juntamente com os tons marrons vivos da plumagem do corpo. O tamanho também é razoável, chegando a quase 30cm.
Não existem, ainda, estudos sobre o comportamento e a biologia do Pica-Pau-do-Parnaíba, mas é provável que seus hábitos reprodutivos e alimentares não sejam muito diferentes daqueles dos seus parentes mais próximos. Em geral, comem insetos e suas larvas. Várias adaptações, incluindo audição acurada e uma língua muito comprida e pegajosa na ponta, auxiliam os pica-paus nessa tarefa. Pescoço, coluna, bico e crânio reforçados ajudam na capacidade de fazer do corpo um perfeito martelo, capaz de perfurar madeira facilmente. Esse hábito faz com que os pica-paus prestem, muitas vezes, o importante serviço ecológico de livrar árvores de insetos nocivos. Os pica-paus também utilizam as árvores para construir ninhos, e os machos martelam árvores mortas para demarcar e defender seu território de outros machos.
O mais interessante desse pica-pau, é o fato de que os cientistas passaram 80 anos sem avistar um único exemplar da espécie. Depois de 1926, quando um exemplar foi coletado pelo naturalista Emil Kaempfer, em Uruçuí, município do estado do Piauí, a ave nunca mais foi vista. Dúvidas surgiram. A partir de análises do exemplar depositado no Museu de História Natural de Nova Iorque, os ornitólogos, em 2005, concluíram que o Pica-Pau-do-Parnaíba era mesmo uma espécie. Em 2006, fazendo um levantamento de avifauna no município de Goiatins, estado de Tocantins, o biólogo Advaldo do Prado reencontrou a espécie, confirmando sua existência, e, por conseguinte, a não extinção.
Até 2007, um total de 23 indivíduos foi encontrado, e a área de ocorrência se estendeu do município de São Pedro da Água Branca, no Maranhão, até Dianópolis, no Tocantins. Dado o número baixo de indivíduos, e o isolamento das populações, a espécie está ameaçada de extinção. A carência de estudos e a rápida perda de habitat, pelo desmatamento e pela expansão da agroindústria, tornam a preservação da espécie, principalmente por meio da conservação dos ambientes onde vive, ainda mais importante.
Coruja-do-mato (Strix virgata)
A coruja-do-mato, Strix virgata, é uma espécie bastante comum, que ocorre desde o México até a Argentina. Tem entre 28 e 38cm de comprimento, e pode pesar até 320g. Os mexicanos a chamam de búho café, por causa de sua cor marrom predominante. Já o seu nome em inglês é Mottled owl, que significa coruja pintada, numa referência à plumagem cheia de pintas na tonalidade marrom escuro.
A grande variedade de habitats que consegue ocupar explica a ampla distribuição da espécie, que vive desde as florestas altas e fechadas até as áreas abertas com árvores esparsas, bem como em plantações de cacau e café, e mesmo dentro de cidades. Os ninhos são feitos geralmente em ocos de árvores vivas ou em palmeiras, podendo ocupar também ninhos abandonados de outras aves, onde põe 1 ou 2 ovos. A alimentação também é variada, de insetos maiores, como besouros e gafanhotos, a pequenos mamíferos, morcegos, pequenos répteis, incluindo cobras venenosas, e também anfíbios. Sua visão aguçada, com olhos voltados para frente, e a capacidade de girar a cabeça em um ângulo de até 270°, a torna uma caçadora implacável.
As corujas, notadamente uma espécie tão comum quanto a Coruja-do-Mato, desempenham juntamente com outros predadores a importante função de manter as populações de suas presas sob controle. Com relação às populações urbanas de corujas, sua atividade de caça é diretamente benéfica para as pessoas, ajudando a controlar as populações de insetos e ratos. O fato de caçarem à noite, possibilita, por exemplo, consumirem cobras venenosas como jararacas e cascavéis.
Embora não se encontre classificada como espécie ameaçada, a Coruja-do-Mato, em todos os países em que ocorre, sofre com os mesmos problemas que ameaçam tantas espécies: a caça, o envenenamento, a poluição e a perda de habitat natural por desmatamento e expansão das atividades agrícolas e das áreas urbanas. A coruja, símbolo da sabedoria em algumas culturas, precisa ser reconhecida como fator importante na dinâmica da biodiversidade, assim como o papel que cada espécie desempenha na manutenção dos ecossistemas.
Os Correios, por meio dos selos postais, divulgam e esclarecem sobre a importância de se preservar as espécies animais, ao mesmo tempo em que registram o compromisso assumido com os países do Mercosul, de mostrar suas peculiaridades sob o prisma desses temas/motivos.
Na ilustração de fundo, a mata simbolizando o Parque, a artista utilizou a cor verde em várias tonalidades para criar um efeito harmonioso ao sobrepor os elementos compreendidos nos selos, espécies típicas da fauna e da flora: o Beija-florde- fronte-violeta (Thalurania glaucopis), Saíra-sete-cores (Tangara seledon), Ouriço- cacheiro (Coendou insidiosus) e Laelia lobata (Hadrolaelia lobata), orquídea símbolo do Parque Nacional da Tijuca, espécie endêmica e ameaçada de extinção. Na parte superior à esquerda, a logomarca do Ano Internacional das Florestas e, à direita, a logomarca divulgando a Exposição Filatélica “Brasiliana 2013”. O desenho foi produzido pela técnica de ilustração digital, simulando a técnica guache.
O Parque Nacional da Tijuca, com seus 3.951 hectares de área, é um fragmento do bioma da Mata Atlântica e parte integrante da Reserva da Biosfera do Rio de Janeiro. Criado em 6 de julho de 1961, é atualmente o parque nacional mais visitado do Brasil, recebendo mais de 2 milhões de visitantes por ano. Representa cerca de 3,5% da área do município do Rio de Janeiro e é dividido em quatro setores: Floresta da Tijuca, Serra da Carioca, Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Pretos Forros/Covanca. Situado no centro de uma metrópole com aproximadamente seis milhões de habitantes, para a qual oferece inúmeros serviços ambientais como a manutenção do manancial hídrico, o controle da erosão, a amenização de enchentes, a atenuação das variações térmicas, a regulação climática local, a redução das poluições atmosférica e sonora e a manutenção da estética da paisagem natural, o Parque destaca-se por constituir-se de um grande “maciço verde”. Possui uma beleza cênica única, contrastando o verde da mata com as superfícies rochosas e o mar, apresentando um relevo montanhoso e escarpas muito íngremes, com destaque ao Pico da Tijuca, com 1.021m, à Serra da Carioca, onde se localizam o Corcovado, com 710m, ao conjunto da Pedra Bonita/Pedra da Gávea e à Serra Pretos Forros/Covanca.
No decorrer dos anos, o Parque tornou-se uma importante área de lazer, proporcionando meios para a prática de esportes e a contemplação da natureza. A existência de alguns marcos e símbolos da cidade do Rio de Janeiro, e mesmo do País, como a estátua do Cristo Redentor, a Pedra da Gávea, a Vista Chinesa, a Capela Mayrink, a Mesa do Imperador e o Parque Lage, transformaram-no em um ponto de atração turística de nível internacional.
Com as múltiplas interfaces entre a cidade e a floresta, a gestão do território apresenta-se de maneira complexa e intensa. O dia-a-dia da unidade é permeado pela coexistência de temas tão diversos quanto segurança pública, incêndios florestais, pesquisa, monitoramento, manejo, imprensa, produções cinematográficas, esportes, turismo, assistência social, educação ambiental, fiscalização, política e outros.
Para enfrentar esse desafio o Parque é subordinado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, autarquia do Ministério do Meio Ambiente, e sua gestão é realizada de maneira compartilhada entre os governos federal, estadual e municipal.
Nesse sentido, a relação harmoniosa com a cidade do Rio de Janeiro, e seus interesses, torna-se crucial para que o Parque Nacional da Tijuca cumpra com seu objetivo básico de criação que é “a preservação do ecossistema natural, possibilitando a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico”.
Com a emissão desse bloco, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos dissemina a missão do Parque de conservar o ecossistema, proporcionando mecanismos sustentáveis, vitais à manutenção e à evolução da biodiversidade.
MARIA DE LOURDES DE OLIVEIRA ANDRADE FIGUEIRA
Chefe do Parque Nacional da Tijuca
O Rio São Benedito localiza-se numa das regiões mais preservadas do Brasil, no sudoeste do estado do Pará, em plena região Amazônica. Em estado praticamente original, é considerado um dos rios mais preservados e piscosos do Brasil, onde apenas a pesca esportiva é praticada, na modalidade “pesque-e-solte”.
Com águas escuras e densas e profundidade média de 2 a 3 metros, atinge 8 metros nos pontos de maior profundidade, apresentando, ao longo de seu curso, trechos entrecortados por rochas que delineiam cachoeiras, corredeiras, formando baías, lagoas e pequenos afluentes. O rio congrega um complexo ecológico de transição, onde ocorre o encontro dos biomas do cerrado e da floresta amazônica, o que é muito propício à ocorrência de várias espécies de peixes, encontrados nessa extensa região.
Protegido pela Resolução nº 019, de 26/7/2001, do Conselho Estadual de Meio Ambiente, que instituiu a Reserva Estadual de Pesca Esportiva Rio São Benedito, ele está submetido ao regime jurídico específico de domínio público estadual, como território especialmente protegido, que inclui faixas laterais de 2 km em cada margem, constituídas por matas ciliares em estágio primário de conservação, áreas alteradas para uso restrito, e áreas de vegetação nativa adjacente.
Além de peixes, a área da reserva é pródiga em vida selvagem, apresentando fauna e flora ricas e diversificadas. Em seu magnífico ecossistema, podem ser observados antas, capivaras, jacarés, onças e veados, assim como variadas espécies de pássaros de diversos tamanhos e matizes como araras, ciganas e tucanos.
Neste selo estão destacadas duas espécies de aves a Jandaia Verdadeira (Aratinga jandaya) e também a Harpia ou Gavião Real (Harpia harpyja).
Os selos divulgam seis espécies de aves exuberantes brasileiras: Cardeal-de-topete – (Paroaria coronata), Galo-da-serra – (Rupicola rupicola), Bandeirinha – (Chlorophonia cyanea), Campainha-azul – (Porphyrospiza caerulescens), Saíra-militar – (Tangara cyanocephala), e o Cardeal-do-banhado – (Amblyramphus holosericeus). Todas são apresentadas em cores vibrantes, em seus ambientes naturais, com os detalhes que lhes são peculiares. No canto inferior direito da minifolha aparece um ninho e na base, as logomarcas da Lubrapex 2009 e da Birdpex 2010. Foram utilizadas as técnicas de fotografia e computação gráfica.
